quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mini-entrevista a Henrique Pereira dos Santos - Arq. Paisagista

A&R de Portugal - Neste momento é proibido possuir como animal de estimação um animal que pertença à nossa fauna autóctone, no entanto é possível adquirir uma enorme variedade de espécies exóticas para esse mesmo efeito. Um problema emergente para a conservação da nossa herptofauna são os animais de estimação exóticos que de uma maneira ou de outra acabam libertados, e ocupam o lugar dos autóctones. Este problema já se verifica com cágados americanos que tem sido importados há já muitos anos e em grandes quantidades. Dada a enorme variedade de sapos, rãs, relas, tritões, lagartos, cobras e tartarugas que se encontram nas lojas de animais outros casos se adivinham. Neste momento existe ainda o risco acrescido de trazerem doenças que se tem revelado devastadoras noutros pontos do mundo! Qual lhe parece a solução para este problema? Proibir a posse de anfíbios e répteis como animais de estimação; criar um centro de procriação de espécimes autóctones com fins comerciais e proibir as exóticas? Ou outra solução totalmente diferente?

Henrique Pereira dos Santos - Independentemente da precisão da questão legal a questão parece-me interessante por traduzir o confronto entre dois tipos de instrumentos de conservação: os instrumentos regulamentares (proibir ou condicionar legalmente, que são instrumentos que só são eficientes na medida em que as pessoas os reconhecerem como justos ou tiverem um sistema de fiscalização e repressão eficaz) e os instrumentos económicos (a criação de interesse numa determinada solução de conservação aproveitando o valor económico associado a produtos e serviços que resultam das opções de conservação). Pessoalmente não gosto muito do uso de animais de companhia (e convém restringir o conceito de animal doméstico, que engloba muitos que estão integrados em sistemas produtivos) pela simples razão de que me parece um luxo desnecessário e um gasto de recursos inútil (descontando as muitas situações em que por razões terapêuticas ou sociais se pode justificar o uso de animais de companhia). Mas não pretendo impor a terceiros este ponto de vista. A regulamentação sobre a captura, posse, detenção e por aí fora, destes animais deve restringir-se ao mínimo indispensável à garantia da conservação das espécies e não deve confundir-se com juízos morais sobre o que deve ser a nossa relação com os animais, como muitas vezes acontece. Nesse sentido acho que é de longe preferível o uso de animais autóctones criados sem risco para a conservação a situações como a actual onde há algum excesso administrativo na forma como olhamos para o assunto.

6 comentários:

Maria Cristina Amorim disse...

Olá Vasco.
Agradeço a tua visita ao meu canto, mas ainda não descobri porque é que a Sacha desapareceu. Terá sido por alguma doensa, como se fala na entrevista? não sei, a verdade á que o ano passado ela estava sempre presente na horta, e principalmente nos passadiços de madeira ao Sol. Além dela havia também algumas mais pequenas que gostavam mais de estar paxorentamente no empedrado, e em cima de alguns paralelos de granito que estavam a um canto.
Este ano nenhuma apareceu. Nada!
Não uso pesticidas nem herbicidas, exactamente para poder atrair animais benéficos para a minha horta, além de ser, claro, muito mais saudavel para nós. A unica, provável asneira foi o repelente de toupeiras, mas mesmo assim foi posto á muito pouco tempo, e as lagartixas já deveriam ter aparecido á muito. (Devo dizer que não resultou, as toupeiras são mais espertas, e as alfaces que estão no seu caminho murcharam, assim como os rabanetes as ervilheiras, cenouras, beterrabas...enfim)hehehe.
Também há por aqui alguns gatos vadios, ou com dono, mas que vêm á rua, não sei. Podem ter sido eles, ou então a Sasha já podia ser velhota e ter morrido com o frio...não sei, mas gostava de a ter por aqui de volta.

Não concordo em nada com o facto de alguem ter repteis em casa como animais de estimação. Eles são seres que precisam do seu habitat para serem felizes e se reproduzirem em pleno. Para quê tê-los em casa aprisionoados num aquário de dimensões minimas?
Deveria haver leis que proibissem de todo a venda destes animais, até porque depois eles acabam por voltar á Natureza (fora do seu habitat) e os problemas são outros, para não falar das pessoas que os compram e depois não sabem cuidar deles como deve ser.

Beijos e tem uma boa semana.

Ana disse...

Olá Vasco! Parabéns pelo blog, continua!
Trabalho com peixes, anfíbios e répteis.
Achei a questão colocada ao hps muito oportuna. Vejo-me aflita para explicar às escolas esta questão de não se poder manter em casa espécies autóctones, mas sim exóticas com todas as questões a jusante que referes...aliás nem se deveria poder deter em casa qualquer uma (herpetofauna), pois o público em geral e as lojas têm fracas noções de como manter estas espécies em cativeiro...

E tu, o que achas?
Ana

trepadeira disse...

Claro que não faz nenhum sentido ter animais,exóticos ou não,encerrados para prazer dos ditos "donos".Os animais não são nossos nem nasceram para nos servir.
Deixe-me só dizer a Pandora (é o nome de uma borboleta muito bela)que o problema das toupeiras se resolve espetando ramos de trovisco
"Daphne gnidium" em volta da horta que pretende proteger.Espero que resulte.
mário martins

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