sábado, 21 de Novembro de 2009

Anfíbios - a vida entre dois mundos

O Parque da Pena em Sintra serviu de palco para mais uma actividade Ciência Viva no Verão dedicada aos nossos anfíbios. Durante os meses de Agosto e Setembro o Biólogo Diogo Silva guiou os participantes monte acima, com paragem obrigatória em todos os pontos de água do Parque para prospectar estes animais e explicar o seu extraordinário modo de vida. O ambiente romântico do Parque da Pena sente-se também através da grande quantidade de lagos, e ninguém acha um lago mais romântico que um anfíbio. São várias as espécies que lá se reproduzem, foi por isso possível observar muitos animais tanto adultos como larvas. A beleza da paisagem e o ambiente da Serra de Sintra tornaram esta actividade ainda mais agradável!

domingo, 15 de Novembro de 2009

Bufo bufo (cordões de ovos, larvas e juvenil)

O Sapo-comum utiliza uma estratégia de reprodução bastante usual entre os anfíbios. Apostam em ter um grande numero de descendentes, que embora tenham uma taxa de sobrevivência muito reduzida, são tantos que há sempre alguns que chegam à idade adulta. O Sapo-comum leva esta estratégia ao extremo pois uma fêmea adulta pode depositar até 8000 ovos em longos cordões que se prendem a rochas ou à vegetação sub aquática. As larvas quando eclodem são minúsculas, assim como os juvenis recém-metamorfoseados que mal ultrapassam 1 centímetro! São inúmeros os predadores, os perigos e as adversidades que estes juvenis têm de enfrentar para atingir o estado adulto.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Actualização da lista vermelha da IUCN

A IUCN - International Union for Conservation of Nature, publicou no passado dia 3 de Novembro uma actualização à lista vermelha de espécies ameaçadas. Os Anfíbios e os Répteis mais uma vez ocupam um lugar de destaque nesta lista vermelha, e obviamente pelas piores razões, 37% das 6285 espécies de anfíbios estudadas, e 39% das 1678 espécies de répteis estudadas possuem um estatuto de conservação desfavorável.

Anfíbios:
37 espécies extintas
2 espécies extintas na natureza
484 espécies criticamente em perigo
754 espécies em perigo
657 espécies vulneráveis
382 espécies quase ameaçadas
1597 espécies com informação insuficiente
2372 espécies com estatuto de pouco preocupantes

Répteis:
21 espécies extintas
1 espécie extinta na natureza
94 espécies criticamente em perigo
150 espécies em perigo
226 espécies vulneráveis
149 espécies quase ameaçadas
240 espécies com informação insuficiente
794 espécies com estatuto de pouco preocupantes

sábado, 7 de Novembro de 2009

Coronella girondica

Fotografias de uma Cobra-lisa-meridional tiradas na Trofa (Covelas).
A Cobra-lisa-meridional é das cobras mais dóceis (se é que assim se pode dizer) que existe em Portugal. Mesmo quando acidentalmente encurraladas raramente silvam ou tentam morder, de qualquer forma mesmo que o tentassem, como não possuem dentes inoculadores de veneno são completamente inofensivas. O seu comportamento habitual é permanecerem imóveis enquanto sentem que a sua camuflagem é eficaz, e assim que sentem que foram descobertas fogem com toda a pressa para o esconderijo mais próximo, como fez esta da fotografia!

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Mini-entrevista a Eduardo G. Crespo - Biólogo FCUL

A&R de Portugal - O Professor nas ultimas décadas assistiu a um enorme desenvolvimento na Herpetologia em Portugal. Mais investigadores, mais teses, mais artigos científicos, mais livros. No entanto no mesmo período de tempo as populações de anfíbios e répteis estão cada vez menos saudáveis, seguindo a tendência da generalidade da restante fauna e dos nossos habitats.
O que pensa estar a faltar para que todo este trabalho dos biólogos portugueses possa ter mais repercussão na conservação das nossas espécies ?

Eduardo G. Crespo - É claro que o maior conhecimento que temos vindo inquestionavelmente a ter sobre a nossa Herpetofauna nas suas variadas vertentes não tem necessariamente, ou não tem muitas vezes mesmo, nada a ver com o seu estatuto Sanitário (conservação).
Serve-nos sim para melhor nos consciencializarmos, em muitos casos, da sua vulnerabilidade. E por outro lado permite-nos fundamentar, com base agora mais credível, os sinais de alerta que não deixamos de produzir para as entidades oficiais e publico em geral.
Mais do que conservar as espécies é preciso, como se sabe, preservar os seus habitats naturais. E é aí que a questão se complica face a inúmeras e poderosas e diversificadas pressões que se exercem em sentido contrário. Pontualmente temos ganho algumas batalhas mas é infelizmente muito difícil, se formos minimamente realistas ganhar a guerra, sem uma profunda mudança de mentalidades não só, como é óbvio neste campo mas em todos, Social/Económico/Politico. Mas continuaremos…

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Triturus marmoratus

Fotografias de um macho e uma fêmea de Tritão-marmorado tiradas na Trofa (Covelas).
Durante a fase aquática destes tritões que corresponde à fase de reprodução, torna-se fácil distinguir os machos das fêmeas. As fêmeas que já são por natureza mais robustas, ficam a determinada altura com a barriga inchada por causa dos ovos que carregam, tornando a diferença de tamanhos ainda mais evidente. Mais radical é a transformação que ocorre nos machos, que para além de ficarem com a cloaca dilatada, desenvolvem uma crista dorsal que lhes facilita a natação e serve também para atrair as fêmeas em rituais de acasalamento.


quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Natrix maura (juvenil)

Fotografias de uma Cobra-de-água-viperina tiradas em V. N. Famalicão (Lousado).
A Cobra-de-água-viperina é das serpentes com distribuição mais ampla em Portugal, ocupando cerca de 72% do território nacional. É uma cobra que tolera ambientes humanizados, aliás como é dependente de habitats aquáticos para se alimentar têm de ser de alguma maneira resistente à crescente perda de qualidade das massas de água, para manter uma distribuição tão abrangente.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Venha conhecer os Anfíbios da região do Porto

Nos passados meses de Julho e Setembro, decorreu uma actividade inserida no programa Ciência Viva no Verão, intitulada Venha conhecer os Anfíbios da região do Porto. Para conduzir esta iniciativa revezaram-se alguns biólogos do CIBIO-UP, sendo que nestas fotografias do dia sete de Setembro é a bióloga Joana Torres quem guia os participantes. Esta actividade decorreu em dois ambientes bem diferentes, uma primeira parte no Jardim Botânico do Porto, onde prospectamos as várias espécies que habitam os lagos do jardim, e uma segunda parte em que visitamos os laboratórios de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde pudemos observar alguns espécimes em aquaterrários. Durante esta iniciativa foram muitas as explicações sobre a biologia dos anfíbios que habitam a região do grande Porto, assim como sobre a sua conservação!