sábado, 7 de Novembro de 2009

Coronela girondica

Fotografias de uma Cobra-lisa-meridional tiradas na Trofa (Covelas).
A Cobra-lisa-meridional é das cobras mais dóceis (se é que assim se pode dizer) que existe em Portugal. Mesmo quando acidentalmente encurraladas raramente silvam ou tentam morder, de qualquer forma mesmo que o tentassem, como não possuem dentes inoculadores de veneno são completamente inofensivas. O seu comportamento habitual é permanecerem imóveis enquanto sentem que a sua camuflagem é eficaz, e assim que sentem que foram descobertas fogem com toda a pressa para o esconderijo mais próximo, como fez esta da fotografia!

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Mini-entrevista a Eduardo G. Crespo - Biólogo FCUL

A&R de Portugal - O Professor nas ultimas décadas assistiu a um enorme desenvolvimento na Herpetologia em Portugal. Mais investigadores, mais teses, mais artigos científicos, mais livros. No entanto no mesmo período de tempo as populações de anfíbios e répteis estão cada vez menos saudáveis, seguindo a tendência da generalidade da restante fauna e dos nossos habitats.
O que pensa estar a faltar para que todo este trabalho dos biólogos portugueses possa ter mais repercussão na conservação das nossas espécies ?

Eduardo G. Crespo - É claro que o maior conhecimento que temos vindo inquestionavelmente a ter sobre a nossa Herpetofauna nas suas variadas vertentes não tem necessariamente, ou não tem muitas vezes mesmo, nada a ver com o seu estatuto Sanitário (conservação).
Serve-nos sim para melhor nos consciencializarmos, em muitos casos, da sua vulnerabilidade. E por outro lado permite-nos fundamentar, com base agora mais credível, os sinais de alerta que não deixamos de produzir para as entidades oficiais e publico em geral.
Mais do que conservar as espécies é preciso, como se sabe, preservar os seus habitats naturais. E é aí que a questão se complica face a inúmeras e poderosas e diversificadas pressões que se exercem em sentido contrário. Pontualmente temos ganho algumas batalhas mas é infelizmente muito difícil, se formos minimamente realistas ganhar a guerra, sem uma profunda mudança de mentalidades não só, como é óbvio neste campo mas em todos, Social/Económico/Politico. Mas continuaremos…

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Triturus marmoratus

Fotografias de um macho e uma fêmea de Tritão-marmorado tiradas na Trofa (Covelas).
Durante a fase aquática destes tritões que corresponde à fase de reprodução, torna-se fácil distinguir os machos das fêmeas. As fêmeas que já são por natureza mais robustas, ficam a determinada altura com a barriga inchada por causa dos ovos que carregam, tornando a diferença de tamanhos ainda mais evidente. Mais radical é a transformação que ocorre nos machos, que para além de ficarem com a cloaca dilatada, desenvolvem uma crista dorsal que lhes facilita a natação e serve também para atrair as fêmeas em rituais de acasalamento.


quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Natrix maura (juvenil)

Fotografias de uma Cobra-de-água-viperina tiradas em V. N. Famalicão (Lousado).
A Cobra-de-água-viperina é das serpentes com distribuição mais ampla em Portugal, ocupando cerca de 72% do território nacional. É uma cobra que tolera ambientes humanizados, aliás como é dependente de habitats aquáticos para se alimentar têm de ser de alguma maneira resistente à crescente perda de qualidade das massas de água, para manter uma distribuição tão abrangente.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Venha conhecer os Anfíbios da região do Porto

Nos passados meses de Julho e Setembro, decorreu uma actividade inserida no programa Ciência Viva no Verão, intitulada Venha conhecer os Anfíbios da região do Porto. Para conduzir esta iniciativa revezaram-se alguns biólogos do CIBIO-UP, sendo que nestas fotografias do dia sete de Setembro é a bióloga Joana Torres quem guia os participantes. Esta actividade decorreu em dois ambientes bem diferentes, uma primeira parte no Jardim Botânico do Porto, onde prospectamos as várias espécies que habitam os lagos do jardim, e uma segunda parte em que visitamos os laboratórios de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde pudemos observar alguns espécimes em aquaterrários. Durante esta iniciativa foram muitas as explicações sobre a biologia dos anfíbios que habitam a região do grande Porto, assim como sobre a sua conservação!

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Hyla arborea (metamorfo)



Fotografias de um metamorfo de Rela tirada em V. N. Famalicão (Fradelos).
No final da vida larvar, os anfíbios passam por transformações extraordinárias. A certo momento as brânquias que permitiram às larvas respirarem num ambiente aquático começam a definhar, simultaneamente desenvolvem-se os pulmões.
Neste momento da metamorfose, as jovens Relas necessitam de vir à superfície respirar, mas depois com os pulmões cheios de ar, têm muita dificuldade em regressar ao fundo do lago onde se sentem mais seguras.
Estas fotos ilustram a visão que os outros habitantes do lago têm das Relas atrapalhadas a boiar, e do seu reflexo na superfície da água.


sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Mini-entrevista a José Teixeira - Biólogo CIBIO-UP

A&R de Portugal - O que torna a Salamandra-lusitânica um animal tão especial, no contexto dos anfíbios da Península Ibérica?

José Teixeira - A Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica) é, sem dúvida, uma espécie emblemática da fauna ibérica. Esta espécie é um endemismo ibérico cuja distribuição se circunscreve ao Noroeste peninsular, habitando normalmente junto a ribeiros montanhosos de águas limpas e correntes, com abundante vegetação nas margens. A sua ocorrência restrita, bem como a sua actividade nocturna e o hábito de se refugiar debaixo de pedras ou manta morta durante o dia, tornam esta salamandra pouco conhecida pela população em geral. Por essa razão, a sua descoberta para a ciência foi bastante tardia, sendo descrita pela primeira vez em 1864 pelo naturalista português Barboza du Bocage, a partir de exemplares da serra do Buçaco. O facto de na altura se desconhecer a sua ocorrência noutros locais da Península Ibérica levou J.V. Barboza du Bocage (primo do famoso escritor setubalense) a pensar que se tratava de um endemismo português, motivando a sua denominação científica "lusitanica".
As primeiras observações sobre a reprodução desta espécie só ocorreram cerca de um século depois, numa mina da serra de Valongo, o que atesta bem o carácter secretivo da biologia desta espécie.
Esta salamandra possui uma série de características muito raras entre os anfíbios, nomeadamente a capacidade de libertar a cauda quando ameaçada, a ausência ou residualidade de pulmões funcionais e uma língua preênsil com um mecanismo de propulsão especializado na captura de pequenas presas.
O facto de não possuir pulmões funcionais obriga que todas as suas trocas gasosas se realizem pela pele, condicionando assim a sua ocorrência a ambientes com elevada humidade do ar.
A espécie mais próxima de C. lusitanica é a salamandra do Cáucaso (Mertensiella caucasica), com a qual partilha numerosas características morfológicas e ecológicas, como a capacidade de autonomia da cauda, a ausência ou residualidade de pulmões funcionais e um padrão morfológico semelhante. O facto da distribuição do seu parente mais próximo se limitar ao Cáucaso (na região da Geórgia e Turquia oriental), constituiu um verdadeiro enigma biogeográfico e demonstra a singularidade evolutiva e ecológica desta salamandra.
Actualmente esta espécie é considerada Vulnerável em Portugal, tendo como principais ameaças a contaminação dos pequenos ribeiros, a destruição das florestas caducifólias e da vegetação ripícola, a proliferação das monoculturas de eucalipto e a construção de barragens (mini-hídricas). Por todas estas razões a salamandra-lusitânica é uma espécie singular da nossa fauna, que merece uma atenção especial em termos de investigação, conservação e sensibilização da população.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Coronella austriaca

Fotografias de uma Cobra-lisa-europeia tiradas na Serra do Gerês.
As duas espécies do género Coronella que existem em Portugal, a Cobra-lisa-meridional e a Cobra-lisa-europeia, são espécies que se alimentam essencialmente de outros répteis.
Lagartos, Osgas e pequenas cobras são a base da sua alimentação, que pode incluir juvenis da própria espécie. O nome comum mais utilizado em Espanha para designar estas espécies é Cobra-lagarteira, ou seja que come lagartos, em alusão ao seu regime alimentar!